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O LADRÃO DA BABILÔNIA: LINGUAGEM, POESIA E PODER

Tipo de Trabalho 

Artigo

Sem o entendimento de que a língua está em constante modificação, o que ocorre é a marginalização das variações e mantém-se a ideia de que há somente uma forma correta de fazer uso da linguagem. Considerando isso, este estudo teve por objetivo analisar o poema O ladrão da Babilônia, de autoria da poeta Elizabeth Bishop, estadunidense, à luz da Sociolinguística, em especial, sobre as variações linguísticas, a fim de contribuir para desconstruir a ideia de que há somente uma forma correta de falar. Tal poema foi eleito para fins de análise por enaltecer a variante padrão da língua portuguesa como a única possível e, assim, contribuir por desvalorizar as variações da língua, processos pelos quais esta se atualiza, renova-se. A análise deu-se por revisão bibliográfica e os resultados encontrados apontam que, tanto na língua inglesa quanto na tradução do poema, feita pelo poeta e tradutor brasileiro Paulo Henriques Britto, o discurso que se faz presente no poema reforça a equivocada ideia de que há uma única forma correta de expressão, de dizer o que se pretende, como se a língua fosse imutável e dissociada das necessidades de expressão de seus falantes. Para a poeta, aquele que fala de forma não-padrão está também fora do padrão, o que, por sua vez, coloca o falante desta forma em uma condição de marginalidade, condição esta que resulta em preconceito linguístico.